sábado, 25 de abril de 2015

O AMOR SEM TEORIAS

. No centro da arrumada mesa presidiam garrafas de vinho tinto seco chileno, francês e espanhol. Quadros alusivos decoravam as cinzas paredes do grande comedor. Sentindo os encantos da deslumbrante mesa de comer me dirijo ao amigo João indagando- Escuta! Se celebra, algum aniversário? Por favor, me informe!
O amigo com cara de sorrateiro responde a boca jarro: - Jorge, você sabe que sentar-se numa mesa, pôr pés e pernas sob a mesma, é sinônimo de convite para ir a cama com a mulher convidada. Não é por isso que você veio sem sua mulher, safado?
A risada foi tão sonora que o pessoal que estava na sala de espera olhou imediatamente para nós, ficando boca semiaberta que aos poucos, também virou gargalhadas por osmose. Mas o motivo ficou latente.
Muitas das pessoas convidadas pela família do João já eram amizades de tempos passados, cujos contatos seguiam somente pela vida social tradicional. Depois de abraçar as amizades conhecidas, o gentil João me presentava os convidados que me eram desconhecidos, entre eles homens e mulheres. O entorno era promissor. Se pressentia os encantos da mesa e, quem sabe também, da cama na teoria do amigo João.

Existe o refrão que relacionada acertadamente mesa e cama quando ensina que a comida e o amor têm que ser vistosos, cheirosos e gostosos. Nada a me opor, antes pelo contrário.

sexta-feira, 17 de abril de 2015

ORIGEM DO MEDO

São muitos os pensadores que divulgam sua diferença de pensar sobre a figura ancestral do diabo que tanto escraviza e atormenta a humanidade, sobretudo no caos social que hoje estamos submergidos.
Escritores, jornalistas e pensadores da atualidade desenvolvem teorias e explicações sobre esse estado caótico da sociedade, partindo de fatos ocorridos recentemente que transtornaram e transtornam a opinião pública, levando-a a ações arranjadas trágicas. Se trata da queda premeditada do avião Airbus da Companhia aérea Germanwings (Alemanha ), em que morreram tragicamente 150 pessoas: o assassinato de turistas na Tunísia e no Quênia; os milhares de toneladas de peixes mortos no mar e rios, provocados pelo incêndio no porto de Santos, durante mais de sete dias.   
Que nos impulsa a cometer todos esses atos de violência, tão distintos entre se, porém com um denominador comum: una pessoa aparentemente normal que se sente forte e ataca sem motivo a outra que lhe parece mais débil?
 Talvez seja consequência do que o psicólogo estadounidense Philip Zimbardo definiu como “o efeito Lúcifer”: a capacidade que tem o ser humano de comportar-se de forma irracional, de passar da bondade para a maldade ( El Pais.08/04/15. Pesquisa realizada na universidade de Stanford).
Fica bastante evidente, conforme essa recente pesquisa e a visão do pensador João Guimarães Rosa, Cervantes e muitos outros de que diabo não há. Se for. Existe o homem. Travessia.
A bondade e a maldade que experimentamos é efeito da pessoa humana poderosa, mas quando a pessoa humana é livre é incapaz de ser maléfica, ou diabólica. Só bondade e que da liberdade?


segunda-feira, 6 de abril de 2015

AO REDOR DA MESSA

Comemorei a festa da Páscoa, 2015 ao redor da messa, cercado de filhos, netos, esposa, amigos e outros comensais espalhados pelas belas mesas do restaurante do bairro Savassi, em Belo Horizonte, Minas, Brasil.
A Páscoa só se entende ao redor duma messa farta de pão, carnes, peixes,verduras e vinhos. O prazer que a comida oferece, generosamente, aos comensais se manifesta nos sorrisos, gritos e até cantos dos convidados. A emoção da amizade sentida e vivida entre os presentes até pode trasvasar em choros e lágrimas que podem ser de emoção ou de saudades dos ausentes, presentes no coração e alma da gente.
As fotos e selfs, além de mostrar a modernidade que nos consome, marcando a presença dos parentes e curiosos, pretendem, claro, perpetuar essa passagem do prazer para a arte ou a poesia que a subjetividade é capaz de produzir. Com o tempo as fotos se apagarão, mas os sentimentos afetivos dos sentados na messa jamais desaparecem. Permanecem no interior da gente como o sangue que circula pelo corpo e o ar que respiramos, purificando e fazendo bater o coração, palpitando de gozo e alegria pascal que sei permanecerá para sempre na mente de todos, como a Páscoa que, há milhares de anos se celebra comendo o cordeiro pascal, símbolo da libertação que se espera e que sabemos, com fé, que essa liberdade plena chegará, apesar de qualquer Lava Jato dessa profana vida secular que continua condenando inocentes, como aconteceu na Páscoa do Senhor que hoje comemoramos, cristãos, judeus e islamitas..
Ontem, no restaurante espaçoso e belo, ao contemplar tanta gente comendo do bom e do melhor, bebendo vinhos e sucos de todo valor monetários, vestindo roupas alegres, ricas e joias nos braços e pescoços abertos das jovens e mulheres, vendo as crianças correrem e brincando pelo salão, derretendo toda marca de chocolates, pensava, dentro de mim:
- donde está a crise econômica e política desse país? Donde está que não consigo enxergar!. Sou idoso, mas não cego, nem totalmente louco.
Loucos podem ser quem agita a sociedade criando uma crise para conseguir tirar essa felicidade da Páscoa 2015. Ela não caiu só do céu. Não. Os brasileiros que comeram e celebraram a Páscoa 2015 comigo ontem , testemunham que , se existe crise, ela foi criada por interesses escusos.
Quero continuar vendo a Páscoa da libertação de todos e trabalhar para que essa ainda seja melhor e maior.  

sexta-feira, 27 de março de 2015

O DOCE DA IMORTALIDADE

A lenda da festividade da Páscoa contada pelos Evangelhos Canônicos, aqueles que a Igreja aceita como verdadeiros, está intimamente relacionada com a tendência emocional da raça humana da saudade duma vivência memorial imortal da identidade pessoal única que experimentamos desde o nascimento e, que logo o ambiente social trata de passar e repassar para o espírito dos cidadãos. Essa tendência e memória da vida imortal dos que morreram acaba de experimentar-se, de novo, no trágico acidente aéreo do dia 14 de março na cordilheira dos magníficos e misteriosos Alpes, na parte francesa. Os moradores das cidades das 150 vítimas, espontaneamente depositam nas escolas e praças velas, flores e mensagens, objetos que simbolizam o conteúdo da lenda e do mito da ressurreição depois da morte, ou seja a vida continua eternamente, como as águas do rio são sem antiguidade, passam sem parar e nunca são as mesmas e se encontram nos oceanos marítimos que juntam, como antigamente, o princípio da vida.
Esta fé do povo, manifestada nas mais diversas maneiras da vida, tanto alegres como um jogo de futebol, como trágicas como a morte inesperada ou esperada de qualquer ser. A fé da Páscoa comunica tanta doçura e bem - estar que somente o doce dos chocolates, fruto dos pés do cacaueiro, pode rememorar. Elemento da natureza, como tantos outros, que alegra a vida diária dos moradores. “ O doce mais doce que o doce é o doce da imortalidade” parodiando o refrão popular. As delícias da existência estão nos manjares mais gostosos e levam a mente da gente a pensar e a sentir o doce da vida eterna, como mostram tantas lendas e mitos em todos os tempos e espaços do longo caminhar da humanidade e em seus muitos modos de festejar esse sentimento imemorial que não pode deixar de ser real. Assim é o rito da Eucaristia ou a missa particitada.
Os sentimentos humanos são tão reais como as vivências íntimas da espiritualidade pessoal e coletiva, ainda que continua sempre no mistério. Com tudo, é no mistério que se encontra o SER VITAL, alegria da alma e do corpo do povo que espera a promessa.

Feliz Páscoa, leitores amigos!!!

quarta-feira, 18 de março de 2015

DEMOCRACIAS, PODERES BURGUESES

 Seguindo um raciocínio da filosofia neoliberal, o mundo está um caos, não porque o sistema, em si, seja deficiente, senão porque as pessoas são más. Suas ações pessoais não são coerentes com os princípios da liberdade, da subjetividade, da competição perfeita, da laboriosidade e das éticas  de cada ser humano, que somente se realiza, eticamente, quando mostra sua identidade pessoal no foro da intimidade e na vida profissional transparente.
A liberdade e o direito à iniciativa individual, na procura do bem estar pessoal e do grupo no poder, justifica qualquer ação, ainda que perversa, como a guerra, a exploração, o desemprego, a massificação, a fome, que nunca na história passada apareceu de maneira tão violenta e universal. O fim do lucro no mercado justifica qualquer meio.[1]
Tudo justifica a salvação das liberdades humanas, sobretudo dos que estão no poder. O atual regime democrático de governo dos estados pode ser o modelo dos grupos instalados nas esferas do poder, sustentadas pelo sistema capitalista de produção e de mercado. Porém, ele não revela a face de uma democracia de oportunidades econômicas, ainda que, ideologicamente, assim o professem e divulguem ostensivamente, como vemos pelos informativos da mídia mercenária.
  A nova onda de conservadorismo se alimenta dos princípios liberais que contribuíram para consolidar e justificar as posições conquistadas pela classe em ascensão - a burguesia - no processo de consolidação do grande capitalismo e imperialismo, concretizado nas revoluções inglesa, francesa e no processo da independência norte-americana. Concretizou-se, assim, a inspiração e superação de uma grande parcela do povo do ocidente, que vinha lutando para isso desde as comunas francesas e das organizações corporativistas do renascimento, na alta Idade  Média (ELIAS,1993).[2]
Escrever sobre a democracia dos partidos políticos no final do século XX ( XXI) dá idêntico constrangimento ao que daria escrever sobre monarquia no final do século XVIII, na França. O cientista político e atual presidente do Brasil( FHC) reconhece, em seu discurso de despedida do Senado, que “a democracia pode  ser o marasmo de uma democracia meramente formal, esvaziada de conteúdo econômico e social pelas pragas do elitismo, do fisiologismo e do corporativismo”. E na assinatura do prêmio Direitos Humanos, solenemente divulgado nas comemorações do dia da Independência, 1995, nos jardins do Palácio da Alvorada, reafirma que “a verdadeira democracia é a prática dos direitos humanos para todos, incluindo os pobres” (CARDOSO,1995).
  A apreensão da dúvida que paira sobre o valor da democracia está em todos os cérebros privilegiados do planeta. Mais de 1600 cientistas, entre eles 102 prêmios Nobel, afirmam que: “não fica mais que uma ou duas décadas antes que se perca a única oportunidade de salvar o planeta Terra” (WORLDWATCH INSTITUTE,   1994).
E  a receita certa dada pelos sábios para mudar a cor social  da Terra é:
- Distribuição da renda.
- Desenvolvimento econômico autossustentável.
- Controle demográfico (IBDEN).
Da receita da salvação, os donos do poder somente levaram a sério a terceira orientação, que trata do controle demográfico e que, todavia, foi encarada de uma maneira parcial, na conferência da ONU, no Cairo, em 1994, quando foi votado, por unanimidade, o controle responsável da natalidade. Não obstante, foi rejeitada a relação entre demografia e distribuição de renda, ao reconhecerem que os indígenas são pessoas humanas com dignidade pessoal. Contudo, rejeitaram, pelo voto, o reconhecimento dos indígenas como nação. O contrário seria reconhecer, na prática, a existência de nações autônomas dentro dos Estados Democráticos da América. A democracia, como mais um instrumento de poder de grupos hegemônicos e seus estados, mostrou, assim, sua face dominadora, pouco diferente da racionalidade instrumental e da moral-prática, peculiar aos outros regimes do passado recente (SANTOS,1996).





 [1]  El Estado del Mundo,1995. Anuario económico y geopolítico mundial. Madrid, Akal,1995. pp.518-547.
 [2]  As forças mais esclarecidas das sociedades humanas são as que primeiro alcançam as posições de poder e bem-estar, porém de uma maneira parcial, corporativista e classista.
Cf. Elias. op. cit.

terça-feira, 10 de março de 2015

MANIFESTAÇÕES DIRIGIDAS

        O sociólogo e político, professor Darci Ribeiro percebe, de uma maneira muito realista, a posição dos donos do poder na realidade da sociedade brasileira que vivemos perigosamente nesses dias. Assim se expressa o cientista:

 Nossa tipologia das classes sociais vê na cúpula dois corpos conflitantes, mas mutuamente complementares. O patronato de empresários, cujo poder vem da riqueza através da exploração econômica; e o patriciado, cujo mando decorre do desempenho de cargos, tal como o general, o deputado, o bispo,o líder sindical e tantíssimos outros. Naturalmente, cada patrício enriquecido quer ser patrão e cada patrão aspira às glórias de um mandato que lhe dê, além de riqueza, o poder de determinar o destino alheio.
Nas ultimas décadas surtiu e se expandiu um corpo estranho nessa cúpula. É o estamento gerencial das empresas estrangeiras, que passou a constituir o setor predominante das classes dominantes. Ele emprega os tecnocratas mais competentes e controla a mídia, conformando a opinião publica. Ele elege parlamentares e governantes. Ele manda, enfim, com desfaçatez cada vez mais desabrida. [1]
 O poder está também naqueles que têm a capacidade de cativar os outros com suas qualidades pessoais excepcionais e que, com sua personalidade dotada, transmitem admiração, espanto, respeito, devoção, obediência e vassalagem.


 [1]  Ribeiro, D. O povo Brasileiro: A formação e o sentido do Brasil, S. Paulo, Ed. Companhia das Letras,1995. pp. 208-265. 

domingo, 1 de março de 2015

LIBERDADE DE EXPRESSÃO DIRIGIDA

  Quem fala e defende com unhas e sangue a liberdade de expressão são a legião de jornalistas dos informativos que formam a grande MÍDIA, hoje denominada de 4º poder na sociedade moderna na qual estamos inseridos, tanto se gostamos como senão gostamos. Até os nativos das terras da América Latina, África, Ásia e Oceania estão subordinados a essa sociedade do conhecimento.
  Porém conhecimento para os papas infalíveis da modernidade, (os jornalistas e suas empresas) entendem por conhecimento e verdade suas informações vindas das mentes iluminadas desses seres.
  Mas as notícias que mais publicam e difundem dogmaticamente são as notícias que dão vantagens econômicas, políticas, sociais, religiosas e militares.
  A notícia da vinda da minha sogra a casa para cuidar dos netos jamais será divulgada. Não da ( ibope) fortuna. Mas a notícia do que a sogra do presidente americano tem um caso com ele, essa, sim, da ibope e fortuna. Pouco importa a objetividade da notícia.( Nem sei se essa sogra existe!) A bomba saiu,. Estourou. Repercutiu. A tirada dos jornais aumentaram. Essa expressão será livre pela imprensa geral, mesmo que se logre, claro, provar que foi um mal entendido. Não passa nada.
  Vejam o caso atual do processo LAVA JATO ( pouco importa se falta água nas cidades, o processo continua). Até agora são notícias de jornalistas que ( escaparam) dos processos secretos das delações premiadas. Nada se provou. O que se percebe, bem na cara da gente, é a ligação da MIDIA UNIVERSAL para tirar do poder políticos e líderes que se dedicam a governar atendendo um pouco mais a população brasileira, sempre abandonada, desde a invasão das terras brasileiras por portugueses, espanhóis, franceses, holandeses, americanos, chineses...
   Essas corporações exercem o direito de expressão. Nada vale a fonte, nem a história. O que vale é o poder. O poder cria os direitos, as leis e as prisões pelos inimigos, jamais pelos amigos, ( por coincidência sempre ricos e poderosos).
   A liberdade de expressão é o direito de calar os pobres para sempre. Pobre não fala, não come, não dorme, não pensa. Se diverte nos programas mais inumanos e imorais da MIDIA televisiva e cibernética que domina e massifica a população faminta.
   A liberdade de expressão como sabemos e vemos cada dia é esconder sob o tapete as notícias objetivas dos acontecimentos dos graúdos, favorecidos pelo sistema.
   Sou a favor, sim, da liberdade de expressão para todo cidadão e de que seja ouvido tanto ou mais do que a MIDIA televisiva e empresa.
A sociedade seria outra, pode crer, amigo leitor.