sábado, 16 de janeiro de 2016

O SENTIDO DA VIDA

A esperança de possuir o sopro da vida divina ( Gn. 2,-7) se encontra a todo instante quando as pessoas se deparam com o fato da morte de seres queridos e familiares.Um grande amigo viu a morte de perto quando morreu sua esposa. Íamos juntos ao hospital para cuidar do translado do corpo da esposa para o velório da cidade. No caminho o amigo se dirige a mim e me diz.- Jorge, como é animador ter fé na vida eterna. Sei que minha querida esposa está viva, mesmo morta. O amigo fechou os olhos, rezou e me disse.- Agora, mais do que nunca, sinto minha esposa dentro de mim. O sopro de vida permanece. Somos seres viventes. A vida jamais desaparece. Transforma-se.
O famoso médico e cientista Freud, o fundador da psicanálise, em suas obras, quer ensinar para a humanidade que a crença na imortalidade é inventada pelo medo que se sente ante o fato da morte de cada dia ao redor de toda pessoa. As descobertas de Freud mostraram mais um problema. O medo. Agora são três os problemas sem resposta clara. A vida, a morte, o medo.O psicólogo Pesquero Ramón, recentemente demonstra em sua obra de pesquisa que o Freud, no fim de sua longa vida, admitiu a presença do sopro de Deus a fim de dar sentido a sua vida.
No livro A teoria do todo, ( 2015) da Jane Hawking, narra que seu esposo, o maior físico vivo da atualidade Stephen Hawking, se confessa ateu, mas deixa os filhos e familiares irem a missa semanalmente e aceitou o condecoração da Comissão Científica do Vaticano pelas descobertas das teorias das partículas e dos buracos negros do universo que provam que o cosmos ainda está sendo criado e que essas teorias não podem ir contra um Criador.O sentido trágico da vida é saber lidar positivamente com os fatos mais palpáveis que os seres viventes enfrentam em todos os tempos. A paz das pessoas depende das respostas a esses eternos desafios da cultura humana.


domingo, 3 de janeiro de 2016

ANO NOVO, SÓ PELO AFETO

O casal de pombinhos amando no ninho na varanda da casa foi o primeiro fato que vivi em 2016.
Belo fato para iniciar o novo ano em que as pessoas planejam melhorar de vida e amar freneticamente, mais que anos passados!
Penso. Por que será que os animais se amam sem medo no lugar escolhido?
Por que os animais têm liberdade inata?
E, por que eu, para  amar, tenho que me esconder, separar dos outros até no segredo?
Os instintos não são naturais?
Por que os humanos não têm liberdade para manifestar o prazer dos instintos?
Confesso que nunca entendi essa discriminação entre os seres da natureza!
Respostas existem à vontade e para toda escolha. Desde o código romano que ensinava que a mulher era a que desídia a quem amar, como e até quando, até as normas dos humanistas do século XV,  J. Rousseau, mais tarde Freud e, na atualidade a orientação do cientista alemão Norbert Elias, como observamos nos texto abaixo descrito.
Norbert Elias, na obra “El Proceso de la Civilización; investigaciones sociogenéticas y psicogenéticas”, mediante exaustivas análises de textos dos séculos XV, XVI e XVII, que tratam sobre a educação da juventude, verifica que a conduta das pessoas está determinada, principalmente, pela contenção e pelo domínio do afeto. Ao constranger os sentimentos, a emoção e a realização satisfatória dos impulsos, mediante o permanente controle dos sentidos, os indivíduos mudam de comportamento pessoal e social. Entre os textos estudados e que fundamentam suas teorias, destaca-se o tratado “De Civilitate Morum Puerilium”, do famoso humanista Erasmo de Rotterdam, Colônia,1530. Elias dá a entender que os princípios pedagógicos de Erasmo de Rotterdam formam a base do lento processo civilizatório do ocidente (ELIAS,1993). Ele mostra, habilmente, como a conduta humana e a prática social tem a origem no desenvolvimento da afetividade na sua livre relação entre as pessoas, coisas e fenômenos, mostrando ainda que: “O câmbio de comportamento e de vida afetiva que são denominados de CIVILIZAÇÃO, depende da interpelação intensa dos seres humanos e de sua crescente interdependência” (ELIAS,1993:517).
 A prática humana e social é o expoente do fator afetivo que rege a vida pessoal e íntima das pessoas e esse somente pode ser apreendida a partir do questionamento permanente à interrelação subjetiva existente entre as pessoas dos grupos comunitários que configuram a história e seu meio ambiente. Tanto o desenvolvimento da ciência natural como o da experiência pessoal pode mostrar a estreita interconexão e a funcionalidade existente entre todos os objetos e fenômenos.
A relação funcional entre os seres da natureza se fundamenta na afetividade dos seres humanos, animais e vegetais.
Quem domina a afetividade das pessoas, animais, vegetais e minerais comandam os seres da natureza. Quem respeita a afetividade entre os humanos e demais seres existentes estabelecem a harmonia do Paraíso já, infelizmente, perdido, por seguir normas convencionais de competição e de propriedade particular sobre pessoas, terra e mercadorias.
Diariamente constatamos os conflitos dos políticos e religiosos conservadores que defendem propriedade mental e material sobre a relação natural afetiva e a das pessoas oprimidas que defendem a liberdade nas relações humanas e sociais, mediante o diálogo honesto.

                                   

segunda-feira, 21 de dezembro de 2015

GENTE QUE PENSA

Dias atrás, estava esperando a lotação do bairro no ponto do Terminal Urbano do centro da cidade.  Era uma manhã de forte calor de verão. Uma senhora idosa, com todos os aspectos de mulher doméstica parou perto de mim e dos outros utilitários da lotação, cujos pontos de espera estão relativamente perto, facilitando a proximidade. Depois da longa espera costumeira, a senhora começou a falar da situação sufocante que sofriam os passageiros para poder chegar a casa ou ao término desejado por cada morador da cidade;
A paciente senhora, dirigindo-se aos demais espectantes  alzou a voz cansada, porém bem clara e convincente e sentenciou. - Quem devia estar o dia inteiro nesse sol, ou se for chuva, era o prefeito e seus secretários. Só assim entenderiam o sofrimento do povo que, ademais de pagar a lotação de empresas privadas, pagamos impostos para a livre movimentação. O pior é que também pagamos os avultosos salários e demais prebendas dos governantes.
 Os populares que ouviam a boa senhora se riam a vontade, cujos sorrisos apoiavam o discurso..
Entusiasmada pelo apoio dos moradores, a senhora apelou para os políticos, em modo geral, e reclamava da desonestidade  dos políticos no trato dos bens públicos. Aumentando a voz anunciava que esses ladrões governantes não merecem cadeia. Cadeia para eles é hotel 5 estrelas. Eu condenava os governantes a receber só um salário mínimo, como eu, assim apreenderiam a vida sofrida da população. Seriam gente como nós. Quando mais falava, mais moradores se juntavam e aprovavam os razões da corajosa cidadã. 

quarta-feira, 9 de dezembro de 2015

AS APARÊNCIAS ENGANAM

Nos primeiros anos do século XXI o escritor catalão Gomis , se perguntava sobre a matéria prima dos jornais e escreveu: “ O interesse objetivo das notícias está em sua capacidade de revelar a inesgotável novedade da vida humana, da sociedade que não para  de mostrar-se distinta do que creiamos que era. As notícias interessam pela novidade”. ( La Vanguardia,02/12/15)
A novidade, pois se torna a base da vida humana e de essa vida que se desenvolve e movimenta em sociedade e que tem o carácter de motrar-se distinta do que aparenta.
A refrão, nascido da sabedoria popular já esnina de que “ as aparências enganam.
O assassinato de 14 pessoas ocorrido em São Bernardino, na Califórnia- EEUU-  por umas poucos pessoas, demonstra mais uma vez, que a sociedade norteamericana, apesar de todos os estudos e opiniões que recebemos, não é uma sociedade democrática, porque os cidadãos não tem o direito, nem ao bem superior da vida pessoal, nem de viver numa casa de saúde a fim de gozar do bem-estar - pessoal e sentir-se integrados na comunidade que os acolheu .
Ontem, dia 02/12/15, no Brasil o presidente da /câmara dos deputados aceitou pedido de  poucos cidadãos, doutores da lei, para o impeachment da presidente do Brasil, eleita democráticamente duas vezes pela população. A sociedade brasileira parecia uma sociedade democrática, livre, contudo, por terceira vez, um presidente eleito democraticamente pode ser, de novo, substituído.
O novo, de novo, desse caso político é uma demonstração de que a sociedade brasileira não tem um regime democrático. O novo nesse caso é rever os velhos grupos conservadores que usando da lei convencional atropelam a opção popular por mudanças de base.. A novidade é que que as classes ditas superiores não suportam o governo do um partido, cujas bases, em geral, são populares.
Há mais de um mês o rompimento de duas barragens de detritos de mineiro armazenado pelas empresas Samarco e a Vale, soterraram dois distritos da cidade de Mariana, Minas Gerais,matando pessoas e milhões de  peixes do Rio Doce , hoje rio barro.
E especies nativas das serras das Gerais, além de privar a milhões de pessoas de terem água poptável e de uso caseiro ou agrícola e industrial.

Nesse caso, o novo é a afirmação do poder das empresas mineradoras que mandam e dispõem de terras e pessoas, conforme seus interesses. Um mês depois do acidente previsto nada que repere os donos foi feito. A lei convencional mais uma vez está por cima do bem-estar das pessoas.

sexta-feira, 27 de novembro de 2015

DEMOCRACIA SEM POVO É DITADURA

Nos ensinaram que os pilares da democracia são os três poderes. O poder Executivo, basicamente configurado pelo presidente eleito, vice, ministros e partidos de sustentação.
O poder Legislativo formado pelos deputados legitimamente eleitos e os senadores.
O poder Judiciário, composto por juízes nomeados pelo executivo e confirmado pela Congresso.
A legitimidade de esses poderes se fundamenta na participação da população toda que forma uma comunidade humana, unida pelos objetivos comuns, desejos e esperanças.
A participação da população acontece através dos partidos políticos, formados  por membros da comunidade que compartilham interesses, desejos e necessidades comuns.
Sem partidos políticos permanentes e fiéis resulta impossível uma democracia representativa legal e com legitimidade.
Na história do Brasil, excepto raros tempos, não existiu a tradição de partidos políticos representativos da população. Só existiram partidos representativos de corporações e grupos de interesses. Ruralista-UDR. e muitos outros que aparecem ao gosto de pessoas influentes  .
Nas comunidades, em geral se vota em pessoas, não em partidos.
Depois de 1980 apareceu o primeiro partidos emergente da população. O Partido dos Trabalhadores, que, depois de muita luta, chegou ao governo federal por largos anos.
Os partidos dos grupos de interesses e corporações se unem a grupos conservadores da ultra direita para derrubar o único partido popular, inventando toda classe de falsidades e se unindo até aos poderes constituídos para conseguir derrubar o PT. Os poderosos não aguentam mais ficar fora dos governos, porque fora do poder nunca ficaram, pois esses grupos poderosos formam o poder nacional que pode derrubar qualquer tentativa de democracia representativa. A população, infelizmente, ainda não é quantitativamente consciente de sua eficaz participação na democracia.  Mas esse tempo chegará mais pronto do que se espera.

domingo, 22 de novembro de 2015

OS FATOS REVELAM O ESPÍRITO


ACONTECEU no tempo e num lugar concreto, Nazaré da Galileia que poderia ser em Mariana, Sete Lagoas, Piauí, Mallorca. O espaço clama pelo tempo. O tempo não existe sem espaço, feito de água, peixes, pombos, animais, pessoas, igual o João Batista no rio Jordão, protótipo dos acontecimentos históricos do passado, quando o elo criador pairava sobre as águas. (Gen 1, 1)
No rio Jordão Jesus de Nazaré, foi batizado por João, seguindo o movimento da vida, feita história. O Espírito Santo posou sobre a cabeça de Jesus em forma de pomba. Os céus se abriram e uma voz clamou: Esse HOMEM é meu filho amado, nele tenho posta toda minha complacência. Esse homem representa qualquer homem. Deus Pai Criador jamais pode diferenciar qualquer filho, seja da Galileia ou Mariana das Gerais.
Lugar, tempo, acontecimentos, água, animais, matéria, pessoas se relaciona com a força criadora, o Espírito Santo. O Espírito se contempla em toda criatura. Por isso mesmo não pode existir criatura feia, triste, mau. Sim pode e de fato existe desrespeito as criaturas de Deus contemplativo, aparentemente ausente. Na intimidade da consciência humana o Espírito fala alto.
Viver será sempre ouvir atentamente a voz do Espírito que se comunica constantemente a todos os seres. Os céus se abrem às criaturas. ( Mr. 1, 9-11)
O Espírito conduziu Jesus ao deserto. O Espírito é a força divina que dirige a gente para o deserto, lugar de silêncio, do projeto e do compromisso.

segunda-feira, 9 de novembro de 2015

REFORMAR A FAMÍLIA É MUDAR A SOCIEDADE

Na reunião do Vaticano, no Sínodo, de outubro de 2015, convocado pelo Papa Francisco, se expressaram, sobre a organização familiar, ideias e comportamentos conservadores e progressistas. Houve debates, confrontos e conflitos.
Os crentes conservadores são aqueles que vivem uma vida bem situada, cómoda e até feliz. Por isso mesmo, querem conservar a situação como está. São pessoas que apostam nos dogmas, nas leis, e instituições como intocáveis, mesmo que se prove que, nem sempre são conforme a realidade bondosa da natureza e culturas.
Os progressistas, como Francisco, são aqueles fieis que apreendem que a sociedade, como a vida, é um movimento. Todo movimento está sujeito a mudanças. Mudar é sinal vital de ser diferente tanto no crescimento pessoal, como social. A ação política e instituições que fundamentam a sociedade são para assegurar mudanças justas e conforme a realidade da natureza humana e física.
Pelas informações recebidas, o documento final que foi votado pelos presentes na reunião, teve mais peso conservador, como já era de esperar. Em geral, historicamente as igrejas apoiam atitudes conservadoras.Não querem perder poder. Porém, dentro de todas as igrejas, sempre aparecem fieis com intenção e atitudes de mudanças justas para o bem comum. Jesus jamais apoiou o poder.  A solução pacífica é continuar os debates e que o diálogo sincero seja a regra que oriente o modelo familiar a seguir, ou os modelos familiares aceitos, sem preconceitos, mas de modo misericordioso e atitude orante, segundo exemplo do Papa Francisco.