segunda-feira, 2 de abril de 2012

AS MULTIDÕES DA PÁSCOA


OS MORADORES das capitais dos estados do Planeta vivem a euforia do resplendor plenamente experimentado nos longínquos dias do fato cultural da Páscoa da Ressurreição de Jesus. Fato da fé popular ante a feliz surpresa de que o Cristo amado e seguido pelas multidões tinha regressado à vida logo, depois de ter sido morto pelos governantes e elites poderosas da Judéia.

   Como todo fato histórico popular a Páscoa da Ressurreição do Cristo se comemora, há séculos, em todas as partes da terra sob diversos aspectos e crenças, vindas da tradição que fundamenta uma das três maiores religiões seguida por multidões de todos os tempos e épocas, apesar de suas muitas variações por parte de interesses de grupos políticos poderosos, desde os tempos do Imperador Constantino, no século III, depois do Cristo, até Felipe Calderón e o Raul Castro, respectivamente  Presidentes atuais do México e de Cuba, na  visita recente do Papa Bento XVI.

TRATA-SE  de uma euforia ante a certeza e a necessidade de viver a plena liberdade que tanto custa experimentar nesses últimos tempos de graves crises econômicas e sociais provocadas em quase todos os países que integram o mercado econômico capitalista.

Como será possível viver a plena liberdade da alma se a cada seis segundos morrem milhares de crianças de doenças provocadas por desnutrição crônica e que se pode evitar?

Como se pode viver a alegria da ressurreição, essência do cristianismo, se países cristãos fabricam e vendem armas no valor mensal de 1.666 milhões de dólares?

Com se pode sentir a qualidade da vida do bem-estar social se estados cristãos da Europa desprezam solenemente o valor do trabalhador, pedra fundamental do bem-estar?

SE CONSTATA, agora, que a resposta a essas perguntas se dá na indignação geral das multidões das capitais da Espanha, da Europa e outros países que se manifestam em greves gerais pedindo pacifica, porém fortemente, mudanças radicais no modo de fazer política. Jovens, famílias, profissionais, educadores e até militares exigem uma passagem urgente da picaretagem para a dedicação responsável ao serviço público.

SEM DÚVIDA que esse movimento universal é o desejo vivo de conseguir a liberdade da ressurreição que somente o comportamento cristão autêntico é capaz de proporcionar. As multidões indignadas demandam urgentemente pessoas honestas como Jesus de Nazaré, pessoas que respeitam as necessidades, desejos e interesses das populações, pessoas que saibam nivelar as classes e as diferenças, provocadas por injustiças injustificadas como as que vemos diariamente entre os governantes, onde impera a desigualdade salarial exorbitante entre o valor salarial dum vereador, juiz, militar, médico, etc, e o valor aviltado de uma enfermeira, uma empregada, um operário, um jovem, uma operária, etc.

AS GREVES contemporâneas manifestam a vontade e a necessidade de realizar a passagem de políticos corporativos, sem visão de bem comum, para políticos escolhidos pelos moradores e que provam serem líderes responsáveis e honestos no serviço às necessidades da população e aos desejos comunitários de uma cidade mais humana e habitável e na gerência dos bens dos municípios que, sem dúvida, são suficientes para conseguir a liberdade de uma vida de qualidade para todos. Essa passagem ou essa páscoa somente será possível, se mudam as pessoas dos políticos. Colocar os caras das famílias e grupos mandantes hereditários, pouco se mudará. As multidões exigem mudanças radicais. Os frutos da árvore mudam quando se muda a raiz da árvore, do contrário os frutos jamais serão saborosos e saudáveis para todos.

Está mais que na hora de que a Páscoa, fundamento do cristianismo, seja uma realidade palpável e não somente uns ritos ou cerimoniais que jamais levam a nada a não ser a uma frustração geral. Está mais que na hora que as religiões se dediquem às populações de modo concreto, real e benfazejo. Está mais que na hora de que a Páscoa assuma seu conteúdo que é alegria, liberdade e bem-estar e que se dedique menos ao culto do sofrimento, das penas e das culpas que transmitem o medo que domina a população crente mediante idéias defendidas pelos que vivem o bem- bom dos bens da vida. Ou se mudam os políticos conservadores ou esta Páscoa mais uma vez será somente para ver e, talvez, morder ovos de chocolate que são gostosos, de fato, mas que seriam mais gostosos se forem para todos. O para todos somente acontecerá cambiando, de vez, pelo voto, os politiqueiros sustentados pelos grupos mandantes.

A Páscoa é para todos. Para os governantes e para os governados.

Diariamente vemos as notícias de que as multidões do Planeta Terra, aglutinados nas praças das capitais solicitam viver plenamente a Passagem do sofrimento injusto para a alegria plena da Páscoa da Ressurreição.  Depende de nós. O Cristo está conosco.

O CONHECIMENTO e o esforço do Cristo histórico junto ao conhecimento e a coragem, cada vez mais presente na população, atravessará o deserto estéril do mercado de consumo para respirar, comer e dançar na fertilidade da terra da gente.



      


terça-feira, 27 de março de 2012

CONVERSA ABERTA


Conversa  aberta

            Oh gênio José Saramago, obrigado milhares de vezes pela descrição tão realista da situação da presente sociedade democrática ocidental e, de rebote, da outras  sociedades desse nosso aflito Planeta Azul, partícula do equilíbrio do universo flutuante.

            Mestre, a arte emergente do romance Ensaio sobre a cegueira e Ensaio sobre a lucidez resultam a mais visível e palpável visão dos efeitos do regime democrático, retirado das arcas poeirentas da história grega e trasladado pela fortalecida burguesia do século XVIII às novas nações da Europa e dos continentes americanos em rebelião contra regimes antigos de governar as jovens nações, ainda em desenvolvimento.

            O que tem a ver a velha cultura grega com as novas nações que hoje marcam a história universal?

            Doutor Saramago, como vê peguei emprestado o título desse artigo A Casta Democrática, porque convivendo numa comunidade organizada institucionalmente como democrática sua frase retrata de modo legal o estado de uma cidade administrada, poder-se-ia- dizer, dentro da igualdade, liberdade e fraternidade, princípios da democracia desejada.

            Mestre Saramago, nos seus dois romances que analisam a sociedade moderna falar de casta democrática parece uma contradição, pois casta é uma palavra que se refere à raça, a linhagem, a uma classe, a uma religião. É uma palavra que conota divisão entre pessoas de uma comunidade. Pior ainda, Mestre, perceber castas ou classes dentro de um regime democrático resulta difícil de engolir.

            Oh, amado e fervoroso leitor, você não caiu no conto de que estou sendo bastante gozador frente à sociedade que se define legalmente democrática, mas que os membros que convivem entre si, se comportam de modo contrário a uma sociedade igualitária, fraterna e livre?

            Devoto leitor, presta atenção a narração dos romances e observará que a lei somente serve pra encher papeis, mas que o que vale é a força do mais poderoso.

            No Ensaio sobre a cegueira são as autoridades, apoiadas pelos militares que colocam em quarentena os primeiros cegos que aparecem na cidade a fim de não contagiar os demais moradores. As autoridades vêm à cegueira como epidemia que contagia a população como um todo, como realmente acontece com a democracia que faz que os habitantes se convençam de que são livres para qualquer ação pessoal e comunitária. Mas a realidade social os encerra nos hospitais, manicômios e cadeias mil, vigiados pelos militares que também foram contagiados pela epidemia da cegueira, mas conservam e usam as armas fatais para coibir os cidadãos cegos. Esses, amigo leitor, formaram varias castas de marginais que serão explorados pelos cegos mais expertos. Quando os cegos oprimidos não possuem mais bens para pagar impostos aos poderosos, vem-se forçados a entregar os poucos bens que tiraram de suas casas, agora, fechadas, invadidas ou arrombadas.Agora a casta dos expertos até obrigam a classe despossuída a oferecer suas mulheres e namoradas para serem estupradas pelas castas dominantes. A única mulher que não cegou liberará violentamente essa vergonha e opressão. Uma mulher!!!

            Mestre, Saramago, Nobel  de Literatura, pelo que posso perceber a epidemia democrática  cegou os moradores das cidades e são explorados como os escravos da sociedade que inventou a democracia que hoje invadiu as nações, cuja cegueira não pode ver que as crises financeiras, desemprego e miséria atual são conseqüências das castas dominantes que imperam nas nações visando seus interesses somente,

             Prezado leitor, essa é a mensagem que pretendi passar aos meus leitores, mesmo, assim, a cegueira democrática segue coexistindo, apesar de estar em quarentena mundial.

            Querido leitor, você poderá ler no romance Ensaio sobre a lucidez que uma vez que os cegos recobram a vista e as autoridades convocam eleições  gerais 80% dos eleitores da capital votam em branco. Os políticos,  os militares e polícias começam a perseguir os eleitores para descobrir a conspiração popular dum pais que se quer libertar da cegueira dum regime opressor.

            Obrigado Mestre José Saramago pela possibilidade de enxergar a realidade da sociedade atual em que estamos vivendo e morrendo, mais morrendo que vivendo. Obrigado, porque o voto em branco significa que a população iniciou um movimento popular para mudar radicalmente o modo de governar da atualidade

   

             


domingo, 18 de março de 2012

CRITICA


Critica

            Para ser criativos é necessário fazer algo novo e diferente de tudo o que já existe. Somente se cria e se é diferente quando se critica. Criar é ser artista. Uma obra de arte reclama outra obra de arte. Copiar não é arte. É repetir o que foi produzido por outrem.

            Que se entende por critica?

 Jamais é fofocar de pessoas ou coisas, conforme se pensa comumente. Não!

            A função básica da família, dos centros escolares, dos centros de excelência de estudos e pesquisa, das igrejas, assim como dos meios de informação: livros, revistas, jornais, rádios, TVs, teatros, cursos, debates é orientar com o objetivo de ensinar a fazer crítica que libere as pessoas do controle mordas das idéias dos outros e de ser capaz de realizar o autocontrole. Hoje, tarefa difícil mesmo. As escolas e informativos de hoje, em geral, pouco colaboram para a crítica. Lamentavelmente as instituições, em geral, são mercenárias a serviços dos grupos mandantes que marcam o ritmo do comportamento da sociedade de consumo. Ai radica o mal-estar social atual. Importa a entidade, não o ser humano.

            Sabemos que o homem ao trabalhar pensa e age simultaneamente. Do contrário nada produziria. O homem se controla quando age confrontando o pensamento dele com as obras que realiza. O hábito de confrontar e comparar são hábitos de criticar. A autocrítica é perceber a qualidade do trabalho que é elaborado pelo homem. É a capacidade que o homem tem de observar o que se afina nos planos idealizados. É ver a complexa verdade das coisas e dos fatos que ocorrem diariamente. É penetrar na essência dos fenômenos. Jamais existiu no homem melhor controle que a autocrítica objetiva. O homem capaz de controlar=se a si mesmo é homem livre, aberto, confiável, criativo. Diferente.

Criticar é ser capaz  de reconhecer virtudes e fracassos. Virtudes e êxitos servem para confirmar que o NATURAL é material e que o homem e a mulher são real e verdadeiramente criadores. Ninguém pode arrancar das pessoas a possibilidade e a probabilidade de serem virtuosas e defeituosas. Quem nega essa probabilidade nega, também que o homem seja criador e o condena a ser um constante repetidor estático e mecânico. Um papagaio em pau sujo. Um caso ocorrido numa reunião de moradores duma rua de bairro da cidade pode colaborar a entender o que seja crítica libertadora. Na reunião se discutia e, logo se votava, se os vizinhos da rua que não freqüentassem mensalmente as reuniões do grupo, deveriam ser excluídos das festas que o grupo promove durante o ano. A maioria votou a exclusão dos ausentes.

            Por qué?

            É a prova da mentalidade de exclusão social que foi-nos ensinada na escola, família, igrejas.  Veja. Quem não tiver 75% de freqüência na escola, reprovado. Filho que atrasa no almoço, castigado. Desquitado, não comunga na missa. Menino, idoso, mulher, pobre, preto, não dão palpites em debates sérios.. Qualquer exclusão dum indivíduo não é humana. O humano é relação. O social e comunitário somente pode existir nas relações. Nem o amor é possível sem relação com os outros. Ante esses pensamentos postos por vários presentes na reunião houve uma solução mais relacionada e, por isso, mais humana. O excluído das festas fica na responsabilidade pessoal do mesmo. O grupo cresceu ao abrir-se à relação com os outros.

            A História sempre mostra um fato emblemático de crítica ante um fato crítico. Os judeus ao pegar uma mulher em adultério a lei mandava apedrejar até a morte. Jesus fez um ato crítico corajoso. O Mestre disse:

          - Quem estiver sem defeito pode tirar a primeira pedra.

Todos saíram devagar, começando pelos mais velhos. Eis um ato crítico libertador, corajoso, cuja beleza perpassa os tempos.

O dois fatos descritos ilustram o conceito da palavra crítica comentada no início. Os acontecimentos históricos cooperam muito mais ao entendimento do conceito de crítica  como atividade humana essencial que jamais pode ser confundida por fofoca ou caricatura.

 Mostrou-se que crítica é ter idéias próprias, originais, criativas e feitas produtos belos, bons e permanentes.

           

           

segunda-feira, 27 de fevereiro de 2012

A CULTURA É PERMANENTE




A cultura significa as respostas coletivas dum povo que, sob diversas formas, manifesta o modo de pensar, de agir e de ser criativo, conforme os desafios da natureza e a aceitação coletiva as respostas dadas.  
Quando atividades ditas culturais pertencem a indivíduos ou grupos fechados e não se integram, de fato, à população da cidade jamais serão cultura. Seria muito mais um ato cultual.
O culto narcisista de indivíduos e de grupos que agem soberanamente sobre a população promovendo ações ditas culturais, dentro da mesma cultura popular permanente, os interesses são somente personalistas. A cultura é caricatura.
O sistema econômica de hoje conseguiu, por interesses, dividir a cultura entre cultura erudita, burguesa e o folclore, a verdadeira cultura popular. Toda divisão é feita para confundir e confunde mesmo.
 A cultura é a resposta coletiva do povo aos muitos desafios da natureza física e mental.
Quando será que os movimentos culturais se unirão, de fato, para juntamente com os dirigentes municiapais desenvolverem permanentemente a cultura e, com ela, o desenvolvimento?  



BEM NASCIDOS


Bem nascidos

            Domingo dia 05 de fevereiro, como todos os domingos, por convicção e tradição ancestral aceita, participei da missa paroquial.  Tenho grande prazer de ir à missa aos domingos, porque me encontro com os amigos da comunidade da grande e complexa cidade onde  resido.Vivo o ensinamento do Mestre: - Onde dois ou mais estiverem reunidos em meu nome, lá estou Eu entre eles. Que encanto!

            No final da missa seguiram-se os costumeiros avisos das atividades previstas para a semana. Uma das atividades programadas da semana, que iniciava, seria uma reunião de líderes comunitários para serem orientados sobre a Campanha da Fraternidade 2012 que acontece no tempo chamado de Quaresma, em relação aos quarenta dias do jejum de Jesus no deserto. Lugar de reflexão.  O objetivo patente da Campanha da Fraternidade consiste em situar a religião católica e cristã na onda dos tempos do deus mercado. A cúpula da Igreja Católica, orientada por excelentes sociólogos e, claro, teólogos, tenta buscar temas vitais às sociedades contemporâneas.

            Segundo a informação o tema da Campanha para esse ano é SAÚDE PARA TODOS.

            Confesso, Este anuncio caiu na minha mente e no meu corpo como uma benção. Estou convencido e acredito que a mãe Natureza criou-nos sadios. A Natureza é justa e solidária e diferenciada na beleza do ser. O natural estado de saúde se fundamenta na revelação bíblica da criação permanente. – Deus chamou para a vida os continentes da terra e as profundezas das águas dos mares e Deus viu que tudo o criado era bom.

            Além da revelação judaica, outras visões humanas mostram a natureza alegre, bela, exuberante, misteriosa, previsível, benfazeja, como a dos povos da África, segundo relato do antropólogo e político mineiro Darcy Ribeiro, no livro O povo Brasileiro: formação e sentido do Brasil ( 1995): -  O negro-massa continua tendo erupções de criatividade. Esse é o caso do culto a Iemanjá, que em poucos anos transformou-se completamente. Essa entidade negra, que se cultuava a 2 de fevereiro na Bahia e a 8 de março em São Paulo, foi arrastada pelos negros  do Rio de Janeiro para 31 de dezembro. Com isso aposentamos o velho e ridículo Papai Noel, barbado, comendo frutas européias secas, arrastado num carro puxado por veados. Em seu lugar, surge, depois da Grécia,  a primeira santa que fode. À Iemanjá não se vai pedir a cura do câncer ou da AIDS, pede-se um amante carinhoso e que o marido não bate tanto (PP.264-265).

            Nos lamentáveis e preocupantes fatos da greve de policiais que esses dias ocorrem na Bahia com a provocação da profanação da igreja de Iemanjá, o povo manifesta: _  ”. É que ela é como o símbolo, não das religiões monoteístas preocupadas pelo além e pela salvação da almas, com os medos dos infernos. Não. Iemanjá  é reina e  símbolo “da terra misteriosa da felicidade e da liberdade. Imagem da terra misteriosa de África. Saudades dos dias livres da floresta

Feitos do amor

            A convicção e a fé de que todo nascido é saudável, livre, alegre, e belo emerge da constatação que o Pai Criador somente age por amor, porque Deus é amor. Quem ama jamais faz sofrer. O Criador ou a Natureza jamais são sacanas.

            Sim, muitos dirão e até com veemência que está doente. Que conhecem doentes. Que muita gente no mundo sofre. Aliás,  nunca como hoje se sofreu tanto durante a longa história humana, apesar das badaladas tecnologias de I+D. Está claro que eu vejo doentes, fome, guerras, etc. Aqui vejo junto com muita gente  a mistura da luz com as sombras de escuridão, base da grandeza da opção humana.

            O nosso artista plástico Cândido Portinari, cuja restauração do painel Guerra e Paz que preside a sede da ONU , em Nova Yorque, revela as duas formas da vida na sociedade mercantil, privatizada convencionalmente. A Paz representa a vida saudável, inocente, alegre, livre do povo e a Guerra, mostra a brutalidade humana quando se afasta da relação humana comunitária.

            Os enfermos, as guerras e sofrimentos apareceram  no mundo o primeiro dia que os humanos, milhões de anos atrás , pronunciaram essas inconciliáveis palavras : - Meu e Teu.

No Evangelho da missa, desse mesmo domingo, vimos o Mestre curar enfermos e expulsar demônios. Jesus sabia que tudo, na criação, é bom. Enfermidades e demônios surgem da mente do homem não relacionada amorosamente.

A Campanha da Fraternidade retorna no início da criação que é agora. Depende das relações que sejam reestabelecidas.  

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quinta-feira, 16 de fevereiro de 2012

MESMICE

O Tião e o Lourenço acabam de sentar-se no boteco da Rua Redonda do bairro periférico no norte da cidade industrial. Os dois compadres pegam simultaneamente o copinho de cachaça e, cheirando o líquido sagrado, brindam o santo que parece habitar no pó do pisado chão.Tião e Lourenço, olhos lacrimosos, se olham. Lourenço desvia o olhar para a entrada do boteco, contemplando os populares da rua. Muitos passam de liso, outros, seduzidos, param no barcinho. Lourenço, sem deixar de olhar a movimentada rua, fala para o Tião: - Compadre, o povo já está gozando o novo tempo.
 O Tião, acompanhando os gestos do Lourenço e, seguindo a meada da conversa inicial, anuncia convencido:
- Amigos saudamos o novo ano que está batendo as portas da vida da gente. Feliz ano novo. Saúde. Paz. Muito dinheiro no bolso... Viva!!!

 A cambada desafinada, brada: - Viva!!!
 Alguns dos freqüentadores e alegres curiosos aplaudem e aplaudem e rosnam... vi.vi.vi.viva!  De repente o Turíbio que está sentado e encostado na soleira da porta, língua enroscada, revida:  - Igua, igu, igual o ano passado... Todos os botequineiros calam. O Turíbio, entusiasmado pelo sucesso, se levanta e urra: - Igual,igual,igualzinho ano passado... Lourenço e Tião, levantando ainda mais a voz gritam: -  Feliz ano novo. Todos acompanham  berrando: -Viva!!!
 O Turíbio que já está mais pra lá de Bagdá, cambaleando começa a cantar:

                                               Ciranda, Cirandinha vamos todos...

Tião e Lourenço, hipnotizados pelo impacto do momento, agrupam os colegas que estão no boteco. Inesperadamente o Turíbio situa-se no centro do grupo. Os outros começam a dança de roda infantil... ”Ciranda, cirandinha,  vamos todos cirandar...” Roda, roda, roda.
O grupo de amigos embalados pela batucada e pela cachaça festejam. O grupo  empolgado se apinha ao redor do Turíbio. Ele cambaleia, porém satisfeito grita: -    Gente, igual, igualzinho ano passado.. .
 Ninguém percebe que os transeuntes param. Festeja-se o tempo dançando ao redor do chumbado Turíbio que, no fundo, se sente artista. Roda que roda. O Turíbio não mais escuta ninguém. Vislumbra rostos e rostos rindo, diluídos, burlescos, iguais fantasmas brancosos lá, bem longe, longe, longínquo. De repente o Turíbio cai espatifado no chão do boteco, agora, um palco da rotineira comédia da vida. Os fregueses do boteco continuam rodando e repetindo: Igualzinho ano passado.
- Alegria besta! - grita o Tião no ouvido do compadre.. O Turíbio e cada um de nós  carregamos mais tempo. Ninguém escuta. Todos dançam, cantam e bebem e babam...na festa da vida.

terça-feira, 14 de fevereiro de 2012

MUDAR É POSSÍVEL


Que percussão!

            Seriam nove horas de manhã do dia 24 de agosto. A quente luz do sol matinal, do final do belo inverno, enche de luz o amplo Auditório da Guarda Municipal da Prefeitura de Belo Horizonte. O Auditório está lotado de iluminados a espera do início do 1º Seminário sobre o Programa de Desenvolvimento de Estágio na Prefeitura de Belo Horizonte.

 De longe um pianíssimo ritmo de batucada popular lentamente avança como o largo clarear da alvorada das Gerais. Incrível! A platéia fica em estado de contemplação mística. O ritmo invade as entranhas. E gestos harmônicos emergem dos corpos e das almas dos professores, funcionários e alunos, estagiários das secretarias municipais de Recursos Humanos e do Planejamento, Orçamento e Gestão, liderados pelos respectivos e digníssimos secretários e por professores municipais e alunos de Betim e Contagem e do Centro Universitário Isabela  Hendrix e  do da Uma.

Um grupo de alegres adolescentes, alunos da Escola Municipal  Pe. Francisco sincronicamente se situa no cenário do salão executando um concerto de percussão, cujo ritmo penetra nas almas dos atônitos participantes. Era o anuncio espetacular dos acontecimentos que se seguiriam durante o atípico Seminário  sobre o estágio, sentido e aceito como ato educativo. Os alunos sorridentes, balançando os jovens corpos com  artísticos movimentos corporais e guturais davam o recado secular, já na arca dos esquecidos e, hoje, redivivo: “ o mestre não é maior que os alunos e só apreende quem ouve e o aluno, por ser pessoa humana, é um sujeito inteligente por natureza”.

A invasão dos jovens alunos artistas e a manifestação da arte que comunicavam marcou, sim, o ritmo dos trabalhos do Seminário sobre o desenvolvimento do estágio nas escolas e nas repartições públicas das prefeituras presentes.

Potencialidades

            As potencialidades inatas gratuitamente dadas pelos alunos contagiaram professores, funcionários e estagiários presentes no Seminário que já se apresentava diferente dos outros muitos seminários regionais, e nacionais dos que organizei e participei.

  Os mais de duzentos participantes irmanados pela beleza da arte se integraram numa comum união fazendo fluir livremente as potências criativas manifestadas pelas idéias e práticas dos conferencistas e pelo diálogo aberto dos debates que se seguiam no ritmo vibrante da percussão inicial. No lugar do ruído dos típicos tambores e baquetas sentia-se o forte impacto das idéias e das práticas profissionais reais locais, nacionais e internacionais que motivavam todos os participantes na proposta de uma educação profissional  fundamentada no estágio como “mundo do trabalho e como a prática social” que leva no seu bojo potencialidades para definir o projeto pedagógico de outra educação brasileira para a era pós-moderna que estamos vivenciando, integrados nos atributos da mundialização , aceitos e interiorizados, não mais como uma técnica de dominação imperialista, atualizada e bem camuflada pelo capitalismo de ficção da atualidade, mas antes, como uma característica determinante de um projeto consciente, compartilhado e construído por uma produção de qualidade, por uma integração científica, por uma geração de mútua confiança, por uma compreensão das relações humanas, pelo valor da legalidade dialogal e, sobretudo, pela comunicação e cooperação e entre todos os participantes do projeto de educação e qualificação profissional, conforme as diretrizes curriculares que equacionaram a LDBEN , ao conceituar o estágio como uma experiência prática na linha de especialização, como uma integração científica, como o relacionamento humano, fundamentado nas relações sociais e essenciais da produção e como uma extensão e ação comunitária que dimensiona a universalidade do conhecimento, cuja origem se encontra na própria prática do saber fazer.

Uníssonos  os participantes do 1º Seminário sobre o Programa de Desenvolvimento de Estágio  na Prefeitura de Belo Horizonte proclamaram que outra educação é possível sempre que as políticas públicas de ensino deixem, de vez, de serem uma falácia, para se tornarem um lento e festivo avanço, semelhante ao grupo de jovens alunos percussionistas que motivaram os receptivos participantes do 1º Seminário sobre a prática profissional, base do aumento do fundo do conhecimento e do bem - estar pessoal e social.