terça-feira, 30 de agosto de 2016

QUEM MANDA NAS DEMOCRACIAS?

As instituições que fundamentam a sociedade atual, como o legislativo, judiciário e executivo dos governos em função nada decidem sobre as necessidades básicas das comunidades ditas democráticas. São funções dedicadas a sustentar , a alimentar a sede de poder dos grupos corporativos. Esses grupos dão as normas e manipulam as rédeas dos ocupantes de cargos políticos. 
Quem manda no governo não são os governantes eleitos. Mandam esses grupos e seus aliados mercenários. Esses grupos elegem, para governar municípios, estados e federação pessoas que somente cuidam dos interesses do donos  que são urubus rasgando cadáver social dos estados, deixando, talvez, os ossos para o resto.
O desprecio às democracias está no rito do voto. Ora, votar faz parte da dinâmica geral do sistema político das comunidades. O voto é um elemento que indica uma escolha livre do cidadão. Por isso o importante na democracia é a participação ativa e responsável dos cidadãos nas decisões da política municipal, estadual e federal. Os vereadores, deputados, senadores, executivos representam os interesses de todos os membros da cidade, estado e nação.
Hoje se observa que a democracia participativa pouco tem a ver com o que sucede no mundo caótico em que vivemos. Vejam: a terra treme e mata e destrói. Grupos armados atacam, invadem, sequestram e declaram guerras. Os estados, por dinheiro fabricam e vendem armas a quem paga melhor. Mediante a tática do terrorismo o mundo inteiro está em conflito generalizado. Não se pode viajar tranquilos, nem trabalhar mais para criar bens duradeiros, nem descansar em paz nas casas, nem cuidar da saúde, base do bem estar  pessoal e social.
Todo esse caos mundial vem da formação do pensamento que os grupos mediáticos colocam na cabeça das pessoas que mais que cidadãos livres são objetos manipulados como folhas mortas caídas de árvores secos.
O Brasil, há vários messes vive essa situação. Os grupos que comandam a economia mundial querem tirar mais bens naturais desse país, imensamente rico, mas que a desigualdade social nunca foi tão desigual. Democracia só existe quando existe democracia econômica. O Brasil é dos poucos países  que ainda não fez reforma agraria honesta. O grupo mais poderoso do país é o grupo de donos das terras na organização UDR- União Democrática Ruralista. Vejam que nome lindo. Mas observam suas práticas. Estão organizados por mafias que manipulam as populações como nos tempos da colonização e estão emparados pelas instituições sociais da democracia, sobretudo pelos militares que sempre mandaram  nos países invadidos. Por isso os pobres, imitando os ricos, apreendem a se organizar e ter armas e enfrentar as forças convencionais, como acontece diariamente nas grandes cidades do pais.
Vejam a palhaçada das próximas eleições municipais de outubro. Esses dias pode ser destituída pelos políticos mercenários a Presidente eleita e o sistema continua insistindo em votar membros marcados para governar o que já parece ingovernável.
Democracia somente pode existir com respeito ao outro, mediante aceitação das diferenças com acordos firmes e revisados, sempre que os grupos diferentes vejam necessidade.
Por isso o Papa Francisco insiste em comunicar que o ato de caridade perfeito é a ação política. Política e religião estão juntas sempre, porque se trata de servir ao outro. Ter fé é servir e cuidar do outro semelhante que tem os mesmo deveres e direitos.

Para uma democracia participativa se tem que mudar as ideias das comunidades . Favorecer, de fato, o diálogo interpessoal para, juntos, organizar as comunidades, visando o bem comum.

terça-feira, 23 de agosto de 2016

AÇÃO COMUNITÁRIA

A palavra aliança é mística, porque desde a origem é entendida como a união da criatura com o Criador. A aliança fica desfeita somente pelo comportamento de afastamento da criatura que , usando da liberdade pessoal, rejeita a gratuidade do Criador. Esse afastamento gera situações trágicas para a humanidade.
A partir desse afastamento o bem - estar comunitário se complica. A história humana se resume nas alianças entre a criatura e o Criador como se observa na visão do Antigo Testamento e se concretiza para sempre no Novo Testamento, onde essa aliança temporal somente se pode concretizar pela conversão do povo libertado por Jesuscristro ao dar a vida pela salvação do novo povo. A aliança religiosa e política formam unidade. A conversão  que se entende pelas  palavras: Mudança; Retorno; Arrependimento.
O jovem mostra uma mudança individual ao dedicar-se ao bem social em movimentos de jovens. Se trata de uma mudança prática. O conhecimento passa para a ação que salva.Não basta discursar e protestar. Jovem é jovem quando age livremente pelo bem dos outros jovens e adultos.
Retorno significa a adesão total do espírito humano- individual dentro de uma comunidade comprometida com o bem-agir e ser.

Arrependimento acontece quando cada membro da comunidade humana abandona as faltas individuais e comunitárias e se dedica para o bem – comum, base dos partidos políticos e suas alianças. Política só serve quando se torna um ato religioso. O Papa Francisco nos lembra que o ato de caridade maior é fazer política.

segunda-feira, 8 de agosto de 2016

AMARRAS IDEOLÓGICAS

Os fatos
Os bens da natureza são oferecidos gratuitamente
Quilo de feijão, base alimentar do brasileiro comum,  100% de aumento
Funcionários do judiciário, militares e cia, 41% de aumento salarial ao mês
Salário Mínimo, 01/01/26: R$. 880,00. Reajustes conforme governos, sindicatos e inflação e INPC.Especulação dos grupos de produtores e das empresas trnasnacionais
Taxa básica de juros no Brasil, Copom, 22/07/ 2016 : 14,25% a.a.
Taxa de juros dos EEUU: 0,5%; UE: 0,0%; Grã Bretanha: 0,5% a;a
Empresas privadas do desastre ambiental de Mariana-Minas Gerais sem culpados
Petrobrás. Empresa pública. Processo Lava Jato. Repressão seletiva dos juízes
Embraer. Empresa pública produtiva e próspera.
Justificativas
Esses fatos emoldam a vida da gente. O premiado escritor R. Ferlosio, parodiando ao universal filósofo Walter Benjamim, prova que “ o destino é invento da desventura , como o pecado é um invento do castigo e o juiz é um invento do verdugo” O juiz é quem decide sobre os fatos da vida da gente através de justificativas que provam, ideologicamente, a justiça das ações. A justiça é subjetiva. As auto representações ideológicas não somente cumprem uma função racionalizadora e moralizadora , senão que se consolidam numa irredutível convicção. Ideologias se apresentam como convicções racionais e condutas morais de consciência. As ideologias são oferecidas insistentemente como verdades inapeláveis; por exemplo: ecologia, inflação, judiciários,corrupção, salário mínimo, autoridade, trabalho, juros, pesquisas de opinião... Para todos esses fatos listados no início sempre aparecem justificativas esfarrapadas surgidas de ideologias de grupos dominantes. Nesses calamitosos dias experimentamos a farsa da destituição da Presidenta do Brasil com objetivo de parar o lento avanço da população e centrar todo o sistema econômico neoliberal ao aumento desproporcional do lucro dos grupos hegemônicos que sempre governaram esse país da abundância e da bondade


terça-feira, 2 de agosto de 2016

AGOSTO, MÊS MAGESTOSO

A história, desde o ponto de vista dos grupos mandantes, desde o império até nossos dias, o mês de agosto é tido como azarado, repleto de desgraças e fatos escabrosos. Pura superstição que justifica ações que vão contra o povo e a favor dos grupos mandantes.
Agosto é o mês dedicado ao imperador romano Augustus, cujo nome define a celebridade dessa personagem histórica do Império Romano em seu momento de glória.
Para mim o més de agosto, de que nasci em clima temperado, tem sido um mês agradável e produtivo; No clima temperado é o glorioso mês de férias coletivas e das escolas. Dias de festas, passeios, praia, A festa do padroeiro da minha paróquia, quando se reúne toda a família para festas, banquetes, bailes, prêmios municipais. Em o caso de Brasil, clima tropical é o retorno as aulas. Para mim que, sou professor e adoro minha profissão, se trata do retorno ao ensino e ao aprendizagem. Ninguém ensina se primeiro não apreende.
Sempre apreendi e muito com os muitos alunos que juntos programamos os temas a pesquisar e debater.
O mês de agosto é o aniversário de grandes amigos inventores, produtores e bem-feitores. alguns já estão fora do tempo. Outros, ainda vivemos nesse tempo e por ele empurrados.
Sim, sei que agosto teve o golpe de C. Lacerda e cia contra o Vargas e para seguir a tradição golpista dos grupos da ultra direita nesse mês de agosto se prepara o final trágico-cômico do golpe contra o partido dos trabalhadores, único partido político que saiu do povo e que tentou melhorar, no possível, um pouco esse povo marginalizado.
O mês de agosto é o fim do inverno, a volta do nova primavera, sempre em flores coloridas e generosas. Pena que as pessoas imitamos muito pouco os seres vivos da natureza, salvo os poetas e meninos.
Bem vindo esperançoso e magnífico mês de agosto. Coragem e esperança.  

segunda-feira, 18 de julho de 2016

PRATICAR A MISERICÓRDIA

A diocese de Sete Lagoas comemora nesses dias os 60 anos da ação evangelizadora entre os moradores da região. A novidade se concentra na palavra JUBILEU.
 O Papa Francisco estabeleceu o Ano do Jubileu da Misericórdia, dando o sentido à palavra Jubileu que na Bíblia tem o significado do perdão das dívidas que os cidadãos de Israel contraiam a cada 50 anos de trabalhos. A Igreja primitiva seguiu essa tradição de valores das comunidades de fé (Ac. 2.44-45. A cada 25 anos se proclamava o Jubileu para o perdão de toda dívida. Mais tarde, se ajuntou o perdão de todos os pecados, conseqüência da heresia maniqueísta que proclamava a presencia do bem e do mal. O Jubileu era tempo de indulgência e de perdão total dos pecados pessoais. Iniciou-se, assim, a conduta subjetiva, responsável da ação individual dos atos cometidos pessoalmente. Começava a perder-se o valor comunitário para entrar o valor subjetivo que acarrearia a maldita culpa e o supra valor das ações individuais competitivas, cuja consequência é a sociedade meritocrática e neurótica da atualidade.
 A palavra MISERICÓRDIA, expressa o valor de aceitar a miséria humana e elevar-la ao perdão, ou seja, ao retorno inicial do bem, presente na pessoa humana, feita a imagem de Deus ( Gn. 1.27; At. 3.16).
A alegria do anuncio do nascimento do Salvador, esperado, na cidade de David, proclamou: “gloria a Deus e paz aos homens a quem Deus tem misericórdia”. A misericórdia de Deus é experimentada pelos trabalhadores ( Lc. 2.10-14).
Os fieis, reunidos em casas, vivendo em harmonia, glorificavam a Deus e bebiam do cálice da Misericórdia em experiência comunitária ( Ac. 2.26-47).
 Comunidade e fé se atravessam uma com a outra, de tal maneira, que podemos dizer que nossa fé tem a comunidade como sua fundação e que a comunidade tem a fé como sua fundação.  
Foi para anunciar essa Boa Nova do Reino que eu e mais três jovens colegas chegamos nessa cidade de Sete Lagoas, a pedido dos bispos brasileiros com a missão de fundar e manter o primeiro seminário da diocese com o objetivo de preparar líderes formadores de comunidades de fé e ação evangelizadora.
 O tempo e os fatos acontecidos na sociedade americana e internacional e os anúncios do Concílio Vaticano II convenceram aos fieis de que o comportamento dos ministérios atingisse os próximos e usar de misericórdia como fez o bom samaritano ( Lc.10.36-37).
A sabedoria dos fatos do povo mostrava a necessidade de mudanças. Depois de debater, orar e refletir optou-se por continuar a missão de evangelizar nessa diocese, mediante atividades mais próximas da gente. Seguindo as orientações do Vaticano II optamos para trabalhar com os mais pobres e necessitados.
A diocese tinha somente 6 anos. Junto com Dom José iniciamos um trabalho com os moradores da cidade e da roça. Éramos bem recebidos pela gente que correspondia aos desejos de mudanças, ansiosos de escutar a mensagem da Boa Nova do Reino: acolher com misericórdia, repartindo bens  às comunidades. Esse acolhimento da mensagem evangélica iniciava um processo de renovação na sociedade conservadora, porém aos poucos, teve a reação das famílias tradicionais que se repartem o poder e, com o golpe militar do 64 e a delação de beatos das igrejas, reprimiram a renovação. A semente da ação da misericórdia está lançada.



quarta-feira, 13 de julho de 2016

APREENDENDO COM O POVO

Estava no ponto central da cidade esperando a lotação para regressar a casa. Sentei no banco do ponto. Fiquei perto de uma senhora, mas deixando certo lugar para outros usuários. Uma jovem branca, aparentando uns 25 anos, senta-se entre a senhora e eu. A jovem e a senhora conversam  Logo a jovem branca me estende a mão esquerda com várias moedas na palma e me pede completar o valor da passagem. Tinha uma nota de dois reais e dei-a para a jovem mulher
 Até aqui todo usual. A novidade aconteceu quando a jovem mulher branca me encara e pede para eu adotar-la, afirmando que ela tomaria conta de mim muito bem. Confessou que seus pais já morreram e não deixaram nada para ela poder viver e morar. Pasmado olhei-a sério e nada disse. Chegou a lotação e subimos eu e a senhora. A jovem mulher branca ficou. A senhora sentou no fundo da lotação e olhando para mim dava um convidativo sorriso. Correspondi, mas sentei solzinho, bem na frente do ônibus.
 Adolescentes, jovens e mulheres se oferecerem aos homens, como meio de sobrevivência, é comum na nossa cidade. Por isso não é notícia que dá ibope. Tornou-se fato social e pronto. Esse fato tem uma causa. A causa desse comportamento em todo o mundo está na desigualdade social que fundamenta a sociedade capitalista, porque essa, ao contrário das outras, se estrutura a base do poder que hoje é dinheiro. O dinheiro, como toda mercadoria é um bem escasso, limitado e que pode acabar. O capitalismo colocou o dinheiro no centro da atividade social. Aquele que detém capital está investido de soberania, tornando-se o senhor, o dominador, o legislador, o patrão, o gerente o dono.
A desigualdade social causa a miséria que se vive hoje nas nossas cidades. Esta causa somente desaparecerá quando em conjunto se aplique a política distributiva e desapareça a desigualdade social.