quarta-feira, 11 de setembro de 2013

SAÚDE NÃO É MERCADORIA






Desde o histórico e retumbante movimento social de Junho 2013 o atávico problema de saúde no Brasil veio a tona nas primeiras páginas dos informativos do país e até do mundo. A população brasileira se cansou do descaso nacional à saúde pública e privada.

O governo Federal respondeu aos justos apelos da população com vários projetos pra já. Entre eles o Projeto Nacional de Mais Médicos. Ou seja, colocar médicos, prioritariamente, nas periferias pobres das grandes cidades e nos povoados e cidades do interior, onde quase nunca aparecem profissionais da saúde para o atendimento básico as necessidades da população. Não se esqueça leitor, que a saúde é um direito humano inalienável declarado solenemente pela Organização Nacional das Nações - ONU-.

Surpreendentemente este Projeto Nacional tem encontrado a oposição ferrenha dos Conselhos Regionais e do Conselho Nacional de Medicina. Ninguém ignora a poderosa corporação que formam os médicos no Brasil e junto com eles as organizações transnacionais dos laboratórios, fabricantes de remédios.

Por que será que, justamente os fiadores da saúde, são contra o Projeto Nacional de Mais Médicos para o país?

Pela lógica os profissionais dedicados a saúde da gente e que juraram o compromisso profissional de cuidar da saúde do povo, por cima de qualquer outro interesse, deveriam ser os primeiros a aderir e aplaudir projetos que tendem a cuidar a saúde.

Amigos leitores, este fato mostra a cara do sistema social desumano que montamos. Prestem atenção para poder entender essa contradição.

Além de escritor profissionalmente durante mais de trinta anos foi professor universitário e orientador vocacional e profissional de milhares de estudantes. Esta convivência diária, até hoje, me fez descobrir que os estudantes, em geral, apoiados pelas famílias de qualquer classe social, buscam profissões que garantem um futuro de bem-estar pessoal e familiar e uma posição social privilegiada. Esta situação mostra que as profissões mais rendosas e privilegiadas pela sociedade são medicina, entre algumas outras, que mudam, conforme o mercado. Consciente ou inconscientemente os estudantes querem a profissão que dá garantias certas de sucesso e rendimentos. Esta situação se compreende dentro das idéias vindas do mercado de trabalho, sustentado pelo capitalismo e que marcam o comportamento de pessoas, famílias e comunidades. Estou de acordo em procurar o melhor, mas que o melhor seja para todos, sem exceções mesquinhas. Somos todos iguais perante a lei, reza nossa Constituição e o direito natural.

A lógica do capital

O Papa Francisco em sua visita histórica no Brasil, em julho desse ano, explicava aos 3.500 milhões de jovens reunidos na emblemática praia de Copacabana e, via meios de comunicação, ao mundo inteiro, que a sociedade contemporânea está dominada pelo capital, administrado pelos grandes bancos e financeiras. No centro da sociedade está o capital e nas periferias pobres e idosos abandonados.

 O capital, também conhecido como lucro é o prêmio dos vencedores no jogo do mercado e que se tornou o jogo da vida. Quem domina o mercado, domina o dinheiro e o poder. Por isso os vencedores desse jogo reservam as fatias do mercado, que dominam, para seu proveito. Teoricamente se ensina que todos podem entrar no jogo do mercado. Todos os cidadãos do mundo podem concorrer ao prêmio do capital, porém somente os mais fortes superam as dificuldades e passam sempre na frente.

Os médicos do Brasil, em geral, incorporados nos Conselhos Regionais e Nacional e unidos as empresas transnacionais dos laboratórios de fármacos se opõem de um modo ferrenho a que outros grupos entrem na área da saúde que é dominada por ele e ao seu gosto. A oposição dos profissionais da área da saúde acontece por medo de perder o reserva do mercado que, crêem é propriedade deles.

Os médicos e laboratórios, ainda que em menos contumácia, também se opõem a medicina popular que preserva e cura a saúde dos cidadãos. Os profissionais da medicina descriminam os cidadãos que cultivam ervas com propriedade curativa, ou os cidadãos curandeiros. Essa discriminação, sutilmente vem acompanhada pela gozação e desrespeito pelos que se dedicam a medicina popular.

A propalada exigência dos ministérios da educação e formação profissional da revalida dos diplomas dos profissionais que optam exercer a profissão em  outros países é, também uma lei colocada para garantir a reserva ou monopólio dos mercados. Trata-se da mesma teoria falida da avaliação ou exames dos estudantes nas escolas. Ou os testes profissionais para conseguir emprego. Tudo se trata de simples reserva de mercado e de escolhas por interesses pessoais. Nos países da Europa já se suprimiu essa exigência descriminatória da revalida dos diplomas. Qualquer cidadão de qualquer país pode trabalhar nos países de Europa e até pode ser candidato a governos, desde que entre num partido político legal, ou seja aceito por todos.

Vejam como os jogadores famosos de futebol entram em qualquer país do mundo sem exames de língua, nem de diplomas de educação física. Por que essa discriminação? Está claro. Na transferência dum bom jogador os clubes compradores querem ganhar títulos para ganhar muito dinheiro.

Os profissionais da saúde necessitam repassar, urgentemente, o juramento profissional que fizerem com toda solenidade no dia da formatura, dia de grande alegria pelas famílias dos formados que iniciam uma carreira promissora. Toda profissão se fundamenta no serviço à comunidades.

 

                         


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